Por que a água não chega de forma igual pra todo mundo?
“Muitos de nós que moramos aqui na Baixada temos água caindo na bica só duas vezes na semana, tem lugar aqui que passa três meses sem água. Aí temos que juntar e pedir um pipa, guardar água da chuva, fazer poço coletivo. Mas a água que abastece lá o rio de janeiro saí daqui, do Guandu. A água que sai daqui, abastece a parte rica de lá primeiro e o que sobra vem pra cá. E aí os governos querem culpar os moradores pela desigualdade que eles comentem. Isso é errado. Nós também temos direito a ter direitos. Não é porque eu sou pobre e de cor e moro num lugar mais afastado do centro que eu tenho que sofrer com a falta de água” (Seu Badih, morador de São João de Meriti - Baixada Fluminense, RJ).
Nas favelas e periferias as políticas públicas de saneamento não são efetivas, causando diferentes impactos para a vida e saúde dos moradores: dificuldades de locomoção em dias de chuvas e enchentes, desmoronamentos de casas, escolas fechadas e a multiplicação (ou proliferação) de doenças são alguns dos efeitos da falta de acesso à saneamento adequado. No Brasil, metade da população (mais de 100 milhões de cidadãos) não possuem acesso a sistema de esgoto e cerca de 35 milhões de pessoas não têm acesso a água potável. (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento - SNIS, 2018). Saneamento é Saúde. Saneamento é direito à vida.