E o Gênero, a sexualidade e a saúde?
A Organização Mundial da Saúde aponta que a descriminação sexual/de gênero é um fator que interfere em nossa saúde. As normas e os padrões sociais machistas, a homofobia e a transfobia, o preconceito contra corpos que não se encaixam no modelo social dominante também afetam e determinam a condição de saúde de várias pessoas.
No ano de 2004 foi elaborada a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM). Essa Política inclui novas ações reconhecendo que a atenção às mulheres engloba mulheres rurais, com deficiência, negras, indígenas, presidiárias e lésbicas. Ela é coordenada pela Área Técnica de Saúde da Mulher e faz articulação com outras áreas técnicas do Ministério da Saúde.
Os seguintes dados mostram alguns índices de múltiplas violências às mulheres, contudo, é válido pontuar que quando analisamos estes dados nas esferas de raça e classe a situação é ainda mais difícil:
● Cerca de 91% das travestis e transexuais brasileiras não concluíram o segundo grau, uma situação amplia a vulnerabilidade dessa população.
● O Brasil lidera o ranking de países com mais registros de homicídios de pessoas transgêneras (Fonte: ONG Transgender Europe, 2016).
● Em 2018, mais de 145 mil vítimas (do sexo feminino) sobreviveram a agressões físicas, sexuais e psicológicas, causadas por homens. Apontam dados do Ministério da Saúde
● A cada 4 minutos, uma mulher brasileira é agredida
● A cada 8 minutos uma mulher é estuprada. 53,8% são meninas de até 13 anos. Apenas 7,5% notificam a polícia (fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública)
● As mulheres negras são a maioria das vítimas de estupro contra lésbicas. Em 2017, elas representavam 58% das vítimas, seguida de brancas (35%), indígenas e amarelas (1%).
● No Brasil ocorre 180 estupros por dia
● Uma em cada três mulheres (35%) em todo o mundo sofreram violência física e/ou sexual por parte do parceiro ou de terceiros durante a vida. (fonte: OPAS/OMS) O enfrentamento às violências, sejam elas físicas, morais, emocionais e psicológicas direcionadas à mulher também é uma questão de saúde. Não cabe apenas a assistência imediata em caso de violência física e psicológica, é preciso que o serviço de saúde e todas as redes especializadas de justiça, assistência social, segurança pública, trabalho e moradia , a fim de garantir os direitos das mulheres estejam interligadas para o cuidado e acolhimento às vítimas.